21 de dezembro de 2017

Moção de apoio ao docente Wanderlan Porto do Câmpus Maceió

 

DA LIBERDADE DE CÁTEDRA NÃO ABRIMOS MÃO

A diretoria do Sintietfal vem a público externar irrestrita solidariedade ao professor de Filosofia, Wanderlan Porto, lotado no campus Maceió. O docente foi mais uma vítima de ideologias de extrema direita que, por vezes, contaminam os jovens estudantes secundaristas, levando-os a uma postura de intimidação do profissional no ato da docência.

O professor foi duramente questionado quanto à sua prática docente em sala de aula por um aluno do campus Maceió, questionamentos estes que, apesar de claramente voltados a intimidar o professor, em nenhum momento foram tolhidos pelo docente, que buscou sistematicamente inseri-los no conteúdo ora lecionado. Diante de sistemáticas provocações sem conseguir desestabilizar o professor, que evitou a todo custo cair nas provocações, o discente partiu para ações mais incisivas e intempestivas, tais como sair da sala de aula “denunciando” o conteúdo lecionado, tudo isso de forma ríspida, grosseira. Ainda assim, após retirar-se do recinto e após o prosseguimento da aula, o discente não se satisfez e retornou bruscamente à sala de aula atacando mais uma vez com xingamentos o professor, que neste momento encerrou a aula consternado e saiu em direção ao setor médico do campus, posto que estava muito abalado com o ocorrido. Se não bastasse tudo isso, o aluno seguiu o professor pelos corredores em tom ameaçador, situação esta que apenas cessou quando o docente chegou ao destino desejado.

O fato brevemente apresentado não é um caso isolado, é mais uma expressão do conservadorismo que, nos últimos anos, tem acometido o país. Desde 2013, vêm atuando no Brasil grupos políticos marcados pela defesa de um radical liberalismo econômico e de um violento conservadorismo na moral e nos costumes. Muitos desses grupos crescem pelo uso que fazem das redes sociais, disputando a consciência de jovens para ideais completamente antagônicos aos valores da democracia e do respeito à diferença. Pregam a negação de toda e qualquer política pública de distribuição de renda, a violência contra organizações e adeptos de valores que lhes pareçam de esquerda, bem como a intolerância contra grupos historicamente oprimidos, como os LGBT. Além disso, difundem entre os jovens a tarefa “militante” de patrulhar ideologicamente os professores, especialmente aqueles cujas disciplinas tematizam a formação sócio-histórica das sociedades. O maior expoente desse movimento de opressão ao exercício profissional do docente é o conhecido “Escola Sem Partido”, cujas ideias são propagadas por diversos outros grupos de natureza ideológica semelhante. Embora tenha sido arquivado no Senado, esse programa chegou a inspirar o “Escola livre”, aprovado pela Assembleia Estadual de Alagoas, que, não à toa, foi declarado inconstitucional pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso.

O Sintietfal e o Sinasefe, que se somam desde 2015 ao movimento nacional de combate ao “Escola Sem Partido”, seguem na defesa intransigente dos valores basilares da democracia e em oposição a toda e qualquer expressão ideológica obscurantista e opressora. A defesa da liberdade de cátedra do professor e da necessidade de se fomentar na sociedade – tendo a instituição escolar um papel ímpar nesse processo – um ambiente de respeito à divergência político-ideológica e de tolerância às identidades étnicas, sexuais e sociais é uma questão de princípio. Nesse sentido, entendemos ser impreterível que o caso vivenciado pelo professor Wanderlan Porto seja devidamente apurado, com o respeito à defesa e ao contraditório, e as medidas disciplinares que o caso requer, elencadas no Regulamento Discente do IFAL, sejam efetivamente aplicadas. O combate a essas ideologias e práticas completamente avessas aos valores expressos na Constituição, na LDB e em todos os normativos é de todos nós, especialmente da Instituição, a quem compete levar a cabo as medidas legalmente cabíveis.

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