Em favor de Romero Jucá, Judiciário torna servidora do IF ré em processo de R$ 50 mil

Vídeo de Rúbia Sagaz expondo Senador no avião viralizou na internet no final de 2017

 

O Senador Romero Jucá (PMDB), “do grande acordo nacional, com o supremo, com tudo”, conseguiu tornar ré a servidora do Instituto Federal Catarinense, Rúbia Sagaz, e quer obrigá-la a pagar R$ 50 mil de indenização por conta do vídeo gravado no avião em novembro de 2017.

No vídeo, alvo de processo, a servidora expôs aos passageiros a presença do senador no avião, disse que ele “é especialista em acordo nacional” e questionou: “Como é que tá funcionando o acordo para a Reforma da Previdência, para a Reforma Trabalhista, para a PEC, a Emenda Constitucional (nº 95), que congelou o teto dos gastos públicos por 20 anos, educação, saúde? Como é que o senhor tá fazendo esse acordo, conta para gente seu Jucá? O senhor conseguiu estancar a lava-jato, salvou seus amigos canalhas!? Vai acabar seu sossego”.

Os passageiros apoiaram a ação da servidora e gravaram, inclusive, a agressão de Romero Jucá contra Rúbia, tentando tomar seu celular. O vídeo viralizou na internet e rapidamente foi visto por milhares de pessoas, confirmando a repulsa da população contra o senador acusado de corrupção e um dos principais articuladores do golpe, que resultou na queda de Dilma e ascensão de Temer.

Rúbia Sagaz, integrante do Sindicato Nacional dos Servidores da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (SINASEFE), expôs em redes sociais sua indignação ao processo que se tornou ré. Rúbia descreveu como foi surpreendida ao encontrar uma “correspondência volumosa embaixo do tapete da porta”.

“Fui acusada de ultrapassar os limites do meu direito de expressão, de acusar o caju [nome atribuído a Jucá na lista de propina da Odebrecht] de praticar atitudes ilícitas, entre elas a de proteger corruptos, e de fazer acordos espúrios (sic). Além disso (destaca o processo), ‘a requerida afirmou que o autor não teria vergonha na cara e que teria amigos canalhas’. Enfim, agora eu sou acusada de dizer que ele fez acordo nacional com supremo, com tudo”, resumiu a servidora. “Não sei o que sentir diante de tamanho absurdo”, complementou.

Para o Sintietfal, o processo é injusto e desproporcional. “Toda a população está revoltada contra Jucá e se sentiu representada na ação de Rúbia no avião. O judiciário não pode cercear o direito de cobrarmos um posicionamento de uma figura pública, que deveria exercer o mandato em nome do povo. Além disso, o valor pedido é desproporcional, representa praticamente um ano de salário da servidora em benefício de um Senador acusado de corrupção, que vive recheado de regalias”, afirmou a diretora de comunicação, Marília Souto.

O mandato de citação foi emitido pelo Juiz Cleber de Andrade Pinto, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. No processo, Romero Jucá pede condenação da assistente social do Instituto Federal Catarinense com indenização no valor de R$ 50 mil.

Enquanto tenta impedir a livre manifestação popular, Jucá tem conseguido “estancar a sangria”. No dia 27 de março, o senador, junto ao empresário Jorge Gerdau, conseguiu ter denúncia de lavagem de dinheiro e prática de corrupção rejeitada pelo Supremo Tribunal Federal. Os dois foram acusados pela Procuradoria Geral da República, dentro da operação Zelotes da Polícia Federal, de fraudes no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), o tribunal de recursos da Receita Federal, e de recebimento de propina no valor de R$ 1,3 milhão.

 

Com informações Sindsifce

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