Palestra denuncia crimes da ditadura militar no Brasil

Prisões arbitrárias, cassação de direitos civis, demissões sumárias, sequestro, tortura, assassinatos, ocultação de cadáveres, estupro de mulheres e tortura de crianças. Esses foram alguns dos crimes cometidos pela Ditadura Militar denunciados, nesta quinta-feira, 7 de junho, durante palestra realizada no auditório Prof. Jorge Batista, bloco de Mecânica do IFAL.

Sob o tema “Ditadura Militar: os crimes contra o povo e a nação”, Thyago Miranda, dirigente do sindicato dos bancários e neto do desparecido político Jayme Miranda, explicou a estudantes e servidores do IFAL sobre o golpe militar no Brasil e a instauração do estado de exceção que durou 21 anos.

“Os militares retiraram do poder, pela força das armas, àqueles que foram eleitos pelo voto popular e perseguiram os que foram para a oposição e para a resistência na luta armada. Passaram a chamar de terroristas os patriotas que defendiam a legalidade democrática”, afirmou Miranda.

Neto de um dos mais de 200 desaparecidos políticos do período militar no Brasil, Thyago Miranda falou, com orgulho, de seu avô e condenou a investida que os fascistas fizeram para tirar sua vida.

“Jayme Amorim de Miranda era jornalista, advogado, poliglota e militava no PCB desde muito jovem. Quando acabou a guerrilha do Araguaia, a ditadura desencadeou a operação Radar para sequestrar, assassinar e sumir com os corpos dos membros do comitê central do Partido Comunista”, disse.

“Meu avô é desaparecido político há 40 anos e nós, familiares, ainda buscamos respostas do que aconteceu com ele, seu verdadeiro fim. A mãe dele faleceu e seu sonho era encontrar os restos mortais de seu filho para poder enterrá-lo”, relatou.

Para o sindicalista, a iniciativa de resgatar a memória é fundamental para combater qualquer possibilidade de retorno ao período de exceção.

“Nesse momento que as discussões se afloram sobre intervenção militar, é importante essa atividade para que as pessoas saibam o que é ditadura militar. Tem um ditado popular que diz que um povo que não conhece a sua história pode cometer os mesmos erros. A nossa luta tem que ser constante pela abertura dos arquivos e pela preservação da memória”, assegurou Miranda.

A palestra sobre a Ditadura Militar foi uma iniciativa do Sintietfal, por ocasião do 7 de junho, Dia Nacional de Mobilização, convocado pelo Fórum de Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) em defesa dos serviços públicos.

 

Um Comentário em “Palestra denuncia crimes da ditadura militar no Brasil

André Rocha de Miranda
22 de junho de 2018 11:27 em 11:27

Evento muito relevante para o resgate da história do Brasil, principalmente em tempos de radicalizações de direita e de esquerda. Thyago Miranda fez uma palestra significativa.

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