Seminário EPT: Estelamaris Borges defende a luta das mulheres para a emancipação da classe trabalhadora

Sintietfal disponibiliza integralmente gravação da palestra de Estelamris Borges

Com uma abordagem marxista do feminismo, a assistente social do IFMG, Estelamaris Borges, em palestra realizada no dia 18 de maio, no Seminário de Educação Profissional e Tecnológica do Sintietfal, fez um recorte classista para discutir gênero e trouxe dados atualizados sobre as diferenças entre homens e mulheres na educação e no mundo do trabalho.

+++ Escute aqui o áudio da palestra

Estelamaris apresentou um recorte histórico para a compreender as bases materiais do patriarcado e da opressão da mulher, que surgem com a propriedade privada e a sociedade dividida em classes sociais, e explicou que a luta feminista é contra um sistema de opressões e não contra indivíduos.

“A luta das mulheres trabalhadoras não é contra os homens, é sobretudo a luta de classes. Os homens da classe trabalhadora são os nossos companheiros e nossos aliados, apesar de serem veículos do machismo, do sexismo e misoginia. O patriarcado é quem opera tudo isso (a opressão, a violência contra a mulher). A gente não vê o patriarcado, a gente vê o nosso companheiro nos violentando. Mas esse companheiro não é o nosso inimigo, os nossos inimigos são a propriedade privada e a classe burguesa”.

A assistente social esclareceu que as mulheres nem sempre ocuparam uma posição social inferior como impõe o patriarcado, sistema de opressão que concede privilégios aos homens em detrimento de garantir os mesmos privilégios para as mulheres. “Apesar de tentarem nos fazer acreditar que essa é uma condição natural, que a mulher nasce mais fraca e por isso deve estar nessa condição de inferioridade, isso não é verdade e nem sempre existiu”.

Estelamaris fala ainda de como o patriarcado serve para manter uma parcela da sociedade ainda ser mais explorada, no caso as mulheres. “Vivemos numa sociedade capitalista, num sistema de exploração do homem pelo homem, de uma classe sobre a outra. Para a burguesia, não era interessante acabar com o patriarcado e era necessário manter uma parcela da sociedade que pudesse ser ainda mais explorada”.

Educação e trabalho

No que tange os dados sobre educação e o mundo do trabalho é clara as diferenças entre homens e mulheres. Quando se observa os cargos de chefia, os homens ocupam cerca de 62,2%, quase o dobro do número das mulheres, 37,8%. Além disso, apesar de existirem mais mulheres com nível superior (23,5% para mulheres e 20,7% para homens), suas remunerações são inferiores a dos homens, mesmo quando ocupam o mesmo cargo e exercem as mesmas funções.

“Se os salários fossem pautados na qualificação dos indivíduos, as mulheres deveriam receber mais do que os homens, mas isso não acontece porque é um subgrupo de trabalhadores. Para o mesmo trabalho e as mesmas funções, as mulheres ganham em média 75% do que ganham os homens em 2018”, disse Estelamaris.

As mulheres também exercem duplas ou até mesmo triplas jornadas de trabalho e isso pode ser observada nas horas dedicadas aos afazeres domésticos. “As mulheres gastam cerca de 20,9 horas com os cuidados da casa e os homens cerca de 11 horas. A mulher é oprimida como trabalhadora, que tem que trabalhar fora e ainda cumprir as tarefas domésticas”, explicou a palestrante.

Estelamaris finalizou sua palestra falando sobre a necessidade de a classe trabalhadora lutar por direitos dentro do sistema capitalista, mas que a sua emancipação só acontecerá, de fato, com a superação do capitalismo e da sociedade de classes. “Os três mecanismos de sustentação do patriarcado é a estrutura de opressão, a propriedade privada e as classes sociais. Diante desse sistema temos que fazer a luta por direitos, mas sabendo que o fim da opressão, a liberdade substancial, a emancipação de fato não virá dentro do sistema capitalista”.

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