Em 14 meses, preço da gasolina foi alterado 245 vezes

Política de preços da Petrobrás prejudica população

Foto: NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Em 14 meses, o preço da gasolina foi alterado 245 vezes pela Petrobras. Deste total, 137 foram altas e 108 foram reduções. É como se tivesse havido um reajuste dia sim, dia não. Somente desde o último dia 18 de agosto, foram 11 aumentos.

O último reajuste anunciado na semana passada elevou o preço do combustível a um nível recorde: o litro subiu 1,68% passando para R$ 2,207. O valor é referente ao cobrado nas refinarias, onde o litro da gasolina subiu 69,47% no período.

Na bomba, direto ao consumidor, o valor é bem maior. Na semana passada, o preço médio era de R$ 4,446, mas em algumas regiões do país, o valor ultrapassava R$ 5, em estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Acre.

Manutenção por 15 dias

Na semana passada (dia 4), a Petrobras anunciou uma alteração na política de reajuste dos combustíveis. Contudo, na prática, o resultado é nulo e os aumentos abusivos continuarão.

A empresa informou que o valor do litro na refinaria poderá ficar congelado por até 15 dias, ao invés de obrigatoriamente sofrer alterações diárias, como acontece desde julho do ano passado.

Contudo, isso não vai resultar em reajustes menores. A política de paridade com o mercado internacional, considerando o barril de petróleo e o dólar, continuará mesma. Assim, concretamente, o que vai acontecer é que a Petrobras pode reajustar dentro de um prazo máximo de quinze dias, mas se nesse período a oscilação foi de 10%, por exemplo, esse será o repasse que será feito.

Uma política a serviço dos acionistas estrangeiros

No último dia 31, após três meses de congelamento após a greve dos caminhoneiros, a Petrobras anunciou também o aumento de 13% no preço médio do diesel comercializado nas refinarias. Por conta do acordo para ter posto fim à paralisação, o governo segue subsidiando o valor do combustível em até R$ 0,30 por litro.

O fato é que a política de reajuste de preços praticada pela Petrobras segue penalizando o trabalhador.

Como amplamente denunciado na época da greve dos caminhoneiros, essa política só favorece os interesses dos acionistas estrangeiros, que hoje controlam a maioria das ações da Petrobras.

“O governo e a direção da empresa seguem mantendo uma política que se mostra cada vez mais perversa com a população e que só atende aos interesses de um punhado de acionistas internacionais”, denuncia o dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Atnágoras Lopes.

“A luta contra essa política segue mais necessária do que nunca. Mas, mais do que isso, é fundamental lutarmos contra a privatização da Petrobras, pois se a entrega total da empresa à iniciativa privada se concretizar, a situação para os trabalhadores e o povo vai piorar ainda mais”, concluiu.

 

Por CSP-Conlutas

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