Cortina de fumaça: Bolsonaro cria universidade, mas não devolve R$ 5,8 bilhões da educação

Universidade Federal do Norte do Tocantins é projeto de Dilma Rousseff, em 2017

Bolsonaro assina lei que cria UFNT ao lado de deputados e senadores do Tocantins. Foto: Isac Nóbrega/Planalto

Buscando angariar votos em favor da Reforma da Previdência e diminuir as críticas contra o seu governo pelo corte de R$ 5,8 bilhões da educação, Bolsonaro assinou na noite da segunda-feira, 8 de julho, a criação da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), com sede em Araguaína, por desmembramento de câmpus da Fundação Universidade Federal do Tocantins.

A criação da universidade acontece na semana em que o governo começa a votar a PEC 06/2019 no Congresso Nacional, precisando de 308 votos, e que está convocada um Dia Nacional de Mobilização, para o 12 de julho, com marcha em Brasília.

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Para o Sintietfal, a intenção do governo é criar uma cortina de fumaça diante de uma gestão fracassada na educação, que em menos de seis meses já teve dois ministros e possui a marca da perseguição a educadores e de cortes de recursos.

“Bolsonaro cria uma universidade a partir de uma estrutura pré-existente para tentar abafar que está cortando o recurso de todas as Universidades e Institutos Federais. Não vai conseguir enganar os estudantes e o povo. No dia 12, a juventude estará nas ruas de Brasília para defender seu futuro e dizer não aos cortes e à Reforma Previdência”, afirmou Yuri Buarque, diretor do Sintietfal.

De acordo com a lei nº 13.856, de 8 de julho de 2019, a UFNT passa a existir a partir dos cursos, alunos e cargos dos câmpus da Universidade Federal do Tocantins de Araguaína e Tocantinópolis. A lei prevê a criação dos câmpus de Xambioá e Guaraí e de concursos para 175 cargos efetivos para a universidade. Além disso, determina a existência de 316 novos cargos de direção, de funções gratificadas e de funções comissionadas.

Por sua vez, a universidade mãe, a UFT, teve 42% de sua verba de custeio cortada pelo governo, uma das mais atingidas no país. Segundo nota oficial emitida pela Universidade, o contingenciamento pode inviabilizar suas atividades até o final deste mês.

“No caso específico da UFT, o impacto no orçamento foi da ordem de 42% (o que representa cerca de R$ 18 milhões), o que se traduz, em termos práticos, a uma redução de nossa capacidade para pagamentos das despesas correntes (contas de água, energia, manutenção e segurança, por exemplo) para os próximos dois meses, apenas”, afirmou a Reitoria da Universidade em nota publicada no dia 8 de maio.

Apesar de Bolsonaro se eleger criticando os governos anteriores, a nova universidade foi proposta há três anos pela ex-presidenta Dilma Rousseff. Na ocasião, o governo petista propôs a criação de cinco novas universidades federais, a partir do desmembramento de unidades já existentes em Mato Grosso, Goiás, Piauí e Tocantins. Todas as universidades propostas na época já foram criadas, a única pendente era a UFNT.

 

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