Nota pública sobre a Greve Nacional do dia 18 de Março e a pandemia de Coronavírus

Desde o início do ano, somando-se ao conjunto do funcionalismo público brasileiro em luta e em defesa do serviço público,  as direções do Sintietfal e do Sinasefe têm mobilizado a categoria nas bases dos Institutos Federais , tendo em vista a Greve Nacional de 18 de março (18M).  Neste sentido, no último dia 4 de março a categoria reunida em assembleia decidiu pela adesão à greve do 18M, convocando o conjunto da categoria e da comunidade acadêmica a se somar no ato unificado na quarta-feira dia 18 próximo, às 15 horas, na Praça Centenário.

Na última quarta-feira (11), entretanto, o país e o mundo foram surpreendidos com a decretação, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de pandemia global do Novo Coronavírus (Covid-19). Essa decretação de pandemia associada ao avanço da doença no Brasil, que, conforme fontes oficiais, já conta com transmissão comunitária (interna), tem forçado o movimento sindical a reavaliar o calendário de lutas, sendo muito provável que ocorra a suspensão dos atos de rua do 18M, mantendo-se a data como um dia de greve nacional.

Em todo o país, diversas instituições de educação, públicas e privadas, têm avaliado medidas para inibir o avanço da epidemia. Dada a natureza intrínseca da educação e do ambiente escolar, marcada por presença física de grande contingente de pessoas em espaços físicos fechados, em variados casos a decisão tomada tem sido pela suspensão total das atividades acadêmicas, a exemplo do IFSP, que suspendeu as aulas presenciais entre os dias 16 e 29 de março, e do IFPE, que, em conjunto com as universidades públicas de Pernambuco, suspendeu as aulas a partir do dia 16 até o dia 31 de março.

O Sintietfal entende que as recomendações apresentadas em nota pela reitoria do IFAL são importantes, ainda que não sejam suficientes em razão do risco de progressão geométrica da doença no Brasil. As medidas contribuem para mitigar este risco, mas a manutenção das atividades acadêmicas e administrativas normalmente continua expondo ao risco de contaminação professores, TAEs, alunos, terceirizados, pais e mesmo prestadores de serviço.

O momento excepcional da saúde pública exige que medidas excepcionais sejam tomadas em preservação da comunidade. Vale lembrar que a maioria dos alunos do IFAL são usuários da rede pública de saúde, a qual sofre um crônico subfinanciamento agudizado nos últimos anos em razão da EC95, a famigerada “PEC do teto dos gastos”. A defesa  das políticas públicas e de modo especial do SUS deve ser impulsionada pelo conjunto das forças democráticas diante dos ataques do Governo Bolsonaro-Mourão-Guedes. É imprescindível que exijamos a imediata revogação da EC95 por sua natureza antissocial. Menos austeridade e mais investimento público nas demandas sociais!

Diante do exposto, o Sintietfal faz os seguintes apontamentos:

  • Suspensão imediata do conjunto das atividades acadêmicas e administrativas do IFAL, salvaguardadas aquelas impreteríveis, às quais devem ser garantidas as máximas condições de segurança para servidores e terceirizados envolvidos;
  • Instauração de um Comitê de Crise para acompanhamento e deliberação das ações a serem tomadas durante o período de pandemia, sendo garantida a participação do Sintietfal;
  • Em se confirmando a suspensão das manifestações de rua no 18M, a orientação é de paralisação total das atividades neste dia, buscando-se mobilizar as nossas pautas nas redes sociais (Facebook, Instagram, WhatsApp, etc.).

O Sintietfal compreende que as graves circunstâncias da pandemia do Covid-19 convida toda a sociedade a assumir responsabilidades que salvaguardem todos nós. Neste sentido, o 18M tende a não ter demonstração de força nas ruas do país. Recuar neste quesito é uma necessidade e mesmo um dever para todos aqueles que têm apreço pela saúde pública, especialmente num país com profunda desigualdade social, ciente de que os mais pobres serão os mais prejudicados pela Covid-19. Diferentemente do irracionalismo e do “terraplanismo” que orientam o Governo Federal e as hordas fascistas, é a ciência e os epidemiologistas que servem de base para as decisões democráticas do movimento sindical que representamos.

A luta, porém, não deixará de ocorrer no 18M! Vamos parar todos os campi e mobilizar amplamente nas redes sociais. Nosso setor de comunicação divulgará uma série de cards, textos e vídeos para compartilhamento em massa. Além disso, o Sintietfal iniciará, a partir de segunda-feira, uma campanha de produção de vídeos. Servidores, alunos, egressos e pais podem gravar seu vídeo¹, com seu depoimento sobre a importância do IFAL e do serviço público, para divulgação nos meios do Sintietfal. Faça parte você também dessa mobilização virtual!

Estamos na luta! Em defesa da Educação Publica e de uma sociedade democrática!

 

Maceió, 16 de março de 2020.

Diretoria Executiva do Sintietfal

 


¹Os vídeos devem conter depoimentos relatando experiências e oportunidades vivenciadas na educação pública. Devem ter duração máxima de 1 minuto, gravá-lo com celular na posição horizontal e enviar para o whatsapp do Sintietfal (82) 9 81486271.

Um Comentário em “Nota pública sobre a Greve Nacional do dia 18 de Março e a pandemia de Coronavírus

DANIEL ANDRADE CAVALCANTI
16 de março de 2020 em 11:10

Muito bem, é necessário um combate ostensivo as barbaridades que estão ocorrendo, sobretudo em relação a saúde pública, nesse momento dramático que a cada dia se aproxima de todos nós.
Parabéns mais uma vez ao sindicato!

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