Bolsonaro nomeia oficial da reserva da Marinha como ministro da educação

Carlos Alberto Decotelli é o terceiro ministro da educação na gestão de Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro nomeou, nesta quinta-feira, dia 25 de junho, Carlos Alberto Decotelli para o Ministério da Educação. O novo ministro é oficial da reserva da Marinha, economista, administrador e será o terceiro ministro da pasta num período de 18 meses.

Decotelli assume o cargo uma semana depois da demissão de Abraham Weintraub. Antes, Ricardo Vélez Rodríguez permaneceu pouco mais de três meses no comando da pasta.

O militar não é um nome desconhecido do governo Jair Bolsonaro e tem um histórico em cargos importantes. Foi presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), durante a gestão relâmpago de Ricardo Vélez, e da Secretaria de Modalidades Especializadas de Educação (Semesp), criada em janeiro de 2019 por Bolsonaro.

Decotelli deixou a presidência do FNDE após o órgão ter licitação suspensa pela Controladoria-Geral da União (CGU) por suspeitas de fraudes. O edital de R$ 3 bilhões previa a compra de computadores, notebooks, projetores e lousas digitais para alunos das redes públicas de ensino estaduais e municipais em uma quantidade muito maior do que aquela que seria necessária. Para uma escola no interior de Minas Gerais, seriam adquiridos adquiridos 117,76 laptops por estudante, por exemplo.

Outro escândalo foi a empresa Brink Mobil escolhida, por licitação, para fornecer material escolar para alunos da rede pública. O dono da Brink Mobil, Valdemar Ábila, foi preso preventivamente pela PF na Operação Calvário, da Polícia Federal em dezembro de 2019. O processo licitatório teve início em 2018. Em fevereiro de 2019, o FNDE e a Brink registraram a ata de registro de preços com valor total de R$ 374 milhões. Decotelli e Ábila assinaram o documento.

Oficial reserva da Marinha, o atual ministro é bem visto pela ala militar do governo e não é ligado diretamente a ala olavista. Dará continuidade as politicas de privatização e precarização que o governo vem tentando impor a educação, como o Future-se.

“Com um militar e economista a frente do Ministério da Educação, o processo de militarização da educação básica e de privatização das universidades será mais intensa. Mudando o ministro, mas dando continuidade nas mesmas políticas, a precarização na educação e a perseguição ao funcionalismo público serão as mesmas”, expressou o presidente do Sintietfal, Hugo Brandão.

Decotelli é bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), mestre pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), doutor pela Universidade de Rosário (Argentina) e pós-doutor pela Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

O anúncio do novo ministro já é alvo de polêmica. O twitter em que Bolsonaro apresenta o currículo do ministro foi desmentido pelo reitor da Universidade de Rosário, Franco Bartolacci. Decotelli afirmou, via redes sociais,  que o militar nomeado para o MEC não tem o doutorado anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro.

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