Future-se é rejeitado por unanimidade no Ifal

O Conselho Superior do Instituto Federal de Alagoas decidiu, por unanimidade, pela não participação no programa do governo federal denominado Future-se. A sessão do Consup aconteceu de maneira virtual na manhã desta sexta-feira, 12 de junho.

“É um marco na história do Ifal. Nós rejeitamos por unanimidade o Future-se. É uma vitória da democracia, da autonomia da nossa instituição, dos/as trabalhadores/as do Ifal. Nós dissemos não a esse ataque, a esse governo genocida e a esse ministro criminoso da educação”, afirmou Hugo Brandão, presidente do Sintietfal.

 

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O Programa Universidades e Institutos Empreendedores e Inovadores – Future-se, transformado em projeto de lei no dia 27 de maio por despacho presidencial, propõe uma “maior autonomia financeira às universidades e institutos federais por meio de incentivo à captação de recursos próprios e ao empreendedorismo”.

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A proposta do governo já foi amplamente debatida no Ifal durante o ano de 2019, através de audiências públicas, e já possuía decisão contrária do Concamp (Conselho de Câmpus) Maceió. O próprio Sintietfal, principalmente através de sua ex-presidenta, Silvia Regina, já publicou artigos sobre o tema, realizou palestras, publicou panfletos e jornais e colocou a rejeição ao Future-se como pauta de paralisações e dias de greve.

Os/as membros/as do Consup e da gestão do Instituto apresentaram posições semelhantes e, em mais de três horas de reunião, chegaram à conclusão de que o projeto não acrescenta ao Ifal, pelo contrário, coloca a educação sob a égide do mercado.

A pró-reitora de Ensino, Cledilma Costa, justificou que o Ifal não precisa aderir ao Future-se porque já atende aos três eixos do programa, sem precisar “fazer adesão a um programa que é de privatização de bens, do patrimônio e dos recursos públicos”, disse Cledilma.

As demais falas da gestão do Ifal, do chefe do departamento de graduação do Ifal, Márcio Yabe, da pró-reitora de Pesquisa e Inovação, Eunice Palmeira, e da coordenadora de relações internacionais, Carolina Mendonça, defenderam que o Instituto já atua nos eixos do Future-se (pesquisa, desenvolvimento tecnológico, inovação e empreendedorismo) sob o Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação.

“O que tem de positivo nesse projeto nós já fazemos, tudo. Tudo o que o projeto aponta como o ideal para o ensino, pesquisa e extensão, até a parte da internacionalização e empreendedorismo, todos os gestores já trouxeram exemplos reais do que a gente está fazendo”, resumiu o diretor do Sintietfal e conselheiro, Ederson Matsumoto, o Japa. “Temos ainda o que melhorar, mas o que nós não precisamos para isso é desse projeto nefasto”, completou.

Os/as estudantes e egressos/as também foram uníssonos na rejeição ao Future-se. Para Peterson Lessa, o Ifal sai fortalecido dessa reunião. “A gente está dando uma reposta a esse governo fascista que só defende o interesse dos empresários e dos bancos. Estou muito feliz em estar presente nesse momento. Preferia estar na reitoria, com todos vocês, mas tomamos aqui uma grande decisão, que é uma grande resposta de repúdio a esse governo”, disse o estudante.

O future-se foi apresentado inicialmente no dia 17 julho de 2019 e tem como objetivo mercantilizar a ciência e a tecnologia produzidas nos Institutos e Universidades Federais. O programa ameaça a autonomia universitária e acaba com o tripé ensino-pesquisa -extensão nas Instituições, foca na prestação de serviços remunerados e comercialização de bens e produtos, incentiva a cobrança de matrículas e mensalidades na pós-graduação, privatiza o patrimônio público, permite contração sem concurso público, entre outros absurdos.

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