Covid-19: Sintietfal tem fim de semana de luto após mortes de entes de diretores

Não são apenas números eram vidas

O Sintietfal está de luto. O mês de julho começou de forma triste para a diretoria sindical. O diretor e professor de Piranhas, Claudemir Martins, e a diretora e assistente social de Arapiraca, Jaqueline Lima, perderam entes queridos para o Covid-19.

Josefa Maria da Silva, avó de Jaqueline, completou, no dia 16 de junho, 89 anos. Era uma idosa cheia de vida, mas não resistiu ao novo coronavírus. Faleceu na última sexta-feira, 3 de julho, na cidade de Arapiraca.

“Minha vó tinha acabado de completar 89 anos, mas, tinha muita vontade de viver. Era uma velhinha muito forte, apesar de alguns problemas da idade estava bem. Como estou com uma bebê nem pude ir ao encontro da minha família porque o risco é muito grande, na casa da minha vó todos adoeceram de corona”, disse Jaqueline.

Jaqueline e sua avó, Josefa Maria. (Foto: Arquivo pessoal)

A avó de Jaqueline era uma mãe para ela. “Uma vida que se vai com tantas histórias, com muitos afetos e nós ficamos só com as boas lembranças e uma saudade gigante no peito, saudade sem fim”.

Já Cláudio Martins, irmão de Claudemir, tinha 44 anos e era trabalhador da construção civil. Dedicou-se durante sete anos para a construção do Canal do Sertão e levou água para quem não tinha. Infelizmente, um vírus levou o ar de sus pulmões, fazendo Claúdio falecer no dia 4 de julho após 25 dias de luta contra um inimigo invisível.

“Cláudio morreu, todos morremos juntos, ele se foi materialmente. A despedida foi dolorosa, diria cruel, devido a pandemia, sem ver, pegar, beijar, sentir, sem velório, uma agonia profunda. Ele lá, o caixão distante, e alguns amigos e familiares cá. Essa é outra face cruel do vírus, ele aparta o ente totalmente da família, desde a internação até a morte. Deixa sequelas incuráveis, por isso, cuidem-se, não brinquem com ele”, disse Martins.

Cláudio e Claudemir Martins celebram juntos a chegada do ano novo. (Foto: Arquivo pessoal)

De forma emocionada, Claudemir lembra o quanto seu irmão foi importante em sua vida para a construção de quem hoje ele é e se orgulha muito dele. “Uma vez, visitei uma comunidade rural em Alagoas, quando disse que era irmão de Cláudio várias pessoas saiam das suas casas e mim abraçaram, num gesto de reconhecimento sem igual, vibrando pela pessoa de Cláudio. Esse é o ponto principal, Cláudio, com sua generosidade, simplicidade e amizade, cativou o coração de todos. Um ser humano, forjado no trabalho, na dureza da vida cotidiana, de uma família pobre, de 4 irmãos, ele, eu, Claudia Regina e Cláudia Helena. Nunca desanimou e construiu uma trajetória vitoriosa”, afirma em carta.

Tanto Josefa quanto Cláudio fazem parte dos cerca de 65 mil brasileiros que morreram em decorrência da propagação do novo coronavírus no Brasil. É uma pandemia que tem levado a vida de irmãos, pais, mães, parentes e amigos. Alguns próximos e outros, que mesmo não tão próximos, é possível sentir a tristeza por ver vidas ceifadas.

“Toda solidariedade do Sintietfal aos parentes e amigos de vítimas. A luta nos une como uma família de verdade. Sinto muito as perdas, particularmente a de nossos companheiros de sindicato. Tenham certeza que estarei ao seu lado para lutar fortemente contra quem permitiu que seu irmão e sua avó fossem levados. Estamos juntos”, disse Elaine Cristina, vice-presidenta do Sintietfal.

Desde o início da pandemia, o Sintietfal tem acompanhado com preocupação a evolução do Covid-19 no Brasil. Ao mesmo tempo, tem denunciado a política genocida que permitiu a propagação do vírus com consequências drásticas. No dia 26 de março, Bolsonaro fazia pronunciamento em cadeia nacional chamando o Covid-19 de “gripezinha ou resfriadinho” e dizendo que o país não poderia parar. Três semanas depois, as vítimas passaram de 50 para mais de mil. Hoje, três meses depois, são quase 65 mil.

Para o Sintietfal, a luta contra o Covid-19 é uma luta direta contra seu maior aliado no Brasil, o Governo Bolsonaro. “Segundo os dados, a maior quantidade de vítimas do covid-19 são homens negros e pardos e de baixa renda. Enquanto esse governo perpetuar vai continuar esse genocídio no Brasil. Para defender a vida, é preciso lutar contra o governo Bolsonaro”, completou Elaine Lima.

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