NEABIs do Ifal publicam carta sobre o ensino remoto

Os Núcleos de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABIs) do Instituto Federal de Alagoas (IFAL), instituídos em oito câmpus, publicaram na última sexta-feira, 17 de julho, uma carta aberta sobre o retorno às atividades letivas no Ifal.

“Os NEABIs do Instituto Federal de Alagoas externam aqui a preocupação com o retorno remoto das atividades de ensino na instituição e apontam para a absoluta necessidade de se observar a isonomia em qualquer decisão que venha a ser tomada pelas instâncias competentes do Instituto”, afirma trecho do documento.

A carta aberta pontua a situação do Covid-19 em Alagoas e no Brasil, a ausência de política adequada do Governo Federal e a situação de vulnerabilidade dos/as estudantes, principalmente negros, pardos e indígenas do Ifal.

“Dada a realidade socioeconômica do corpo discente do IFAL, causa-nos profunda preocupação a possível implementação do ensino remoto na instituição. Indicadores nacionais do IBGE (Pnad Contínua/TIC-2018) apontam que 25% da população brasileira é excluída digitalmente, sendo mais aguda na região Nordeste e nas áreas rurais, onde mora boa parte dos alunos do IFAL. Dos que têm acesso à internet no Brasil, 98% o fazem pelo telefone celular, utilizando dados móveis, meio evidentemente precário para o desenvolvimento com qualidade de atividades remotas”, afirma outro trecho.

Segundo levantamento dos NEABIs, o Ifal possui 21 mil matriculados em 2019, sendo 46,41% com renda familiar de até meio salário mínimo e outros 22,05% entre meio e um salário mínimo, totalizando 68,46% dos alunos em situação de vulnerabilidade social. Quanto aos negros/as e pardos/as, representam 72,94% dos alunos, tendo 73,82% dos alunos negros renda familiar de até um salário mínimo. Os indígenas no IFAL correspondem a 0,39% dos alunos e 67,39% têm renda familiar de até um salário mínimo.

Fazendo referência ao artigo 205 da Constituição Federal, que define a educação como um direito de todos e um dever do Estado, a carta conclui afirmando ser “um dever da instituição tomar decisões que permitam a todos o pleno acesso a esse direito, não sendo legítimo e mesmo legal decisões que ampliem ainda mais as desigualdades sociais e étnico-raciais no acesso à educação no país”.

A diretora do Sintietfal em Palmeira dos Índios e integrante do NEABI da unidade de ensino, Fabiana Menezes, explicou que a proposta da carta foi fortalecer o diálogo e a articulação entre os NEABis, no sentido de analisar as especificidades dos/as estudantes negros/as e indígenas nesse contexto de crise sanitária e econômica e também diante das incertezas sobre o retorno às atividades acadêmicas no Ifal.

“A carta aberta dos NEABIs vem nessa perspectiva de que os núcleos possam conversar mais, buscar esse fortalecimento, observar as vulnerabilidades específicas dos nossos alunos negros e indígenas e que os NEABIs estão se propondo a essa inserção no debate institucional sobre o ensino remoto”, afirmou a dirigente sindical.

Confira aqui a carta aberta na íntegra.

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