Ensino remoto emergencial é parcialmente aprovado no Ifal

Destaques serão votados na próxima quinta-feira, 27 de agosto, às 9 horas

Em reunião polêmica e sem respostas à categoria, o Conselho Superior do Ifal aprovou, por 17 a 9, o ensino remoto emergencial no Ifal. A minuta com as diretrizes institucionais não chegou a ser debatida em detalhe e voltará à apreciação do Consup em nova reunião, já marcada para a próxima quinta-feira, 27 de agosto, às 9 horas.

“Foi uma reunião longa e que infelizmente avançou no Ifal para a consolidação de uma modalidade de ensino que exclui parcela dos estudantes, principalmente os mais pobres. É triste porque também saímos da reunião sem a possibilidade de aprofundar o debate e sem respostas sobre a realidade mais concreta dos/as alunos e servidores/as diante da pandemia”, afirmou Hugo Brandão, presidente do Sintietfal.

Já no início, o Sintietfal se opôs ao caráter de urgência da reunião, no entendimento de que o tema não deveria esgotar as discussões em uma única reunião do Conselho Superior e sem a ampliação do debate por meio de audiência pública. A proposta rejeitada pela maioria do Conselho formada, inclusive com participação inédita em 2020, por representação da Setec/MEC, a reitoria do IFS, Ruth Sales.

Não fosse o cansaço de uma longa reunião com mais de 5 horas de polêmicas, as diretrizes do ensino remoto teriam sido aprovadas em tempo recorde, em menos de 15 dias. A minuta foi apresentada pela reitoria no dia 13 de agosto, passou pelo CEPE e já entrou na pauta do Consup. Não houve, ao menos, consulta pública no site do Ifal, como em outras matérias relevantes. Logo, essa decisão gera implicações no futuro de toda a instituição e principalmente de 7392 estudantes do Ifal que se encontram em situação de vulnerabilidade social.

Quanto ao debate da pauta em si, a apresentação do voto do relator Marcos Serafim não tratou de um artigo sequer da minuta, foi uma defesa entusiasmada do ensino remoto com a esperança de que este “restabeleça a alegria e a energia de viver mesmo em momentos tão difíceis”. Em seus 20 minutos de fala, o professor fez questão de enfatizar o quanto “estamos atrasados no tempo” e expressar de forma literária suas reflexões– “Estamos aqui construindo uma nova realidade, porque a detrás não serve mais” – ao invés de se debruçar sobre os dados do Ifal e os artigos do documento que relatou.

Além dos dirigentes sindicais, estudantes e egressos repetiram as perguntas aprovadas na nota “Em defesa de uma educação pela vida” que exigem respostas para questões como: “Qual a real situação social, econômica e cultural dos estudantes e das estudantes do Ifal?” ou “Qual a real situação dos servidores e servidoras do Ifal para atuarem remotamente, no que diz respeito às condições de trabalho em casa, acesso às tecnologias necessárias e internet?”.

Audiência pública

O reitor foi relutante em aceitar a convocação de uma audiência pública sobre a minuta das diretrizes institucionais do Ensino Remoto Emergencial dizendo que já apelou para os/as diretores/as ouvirem suas comunidades acadêmicas e os espaços institucionais – CEPE e Consup – bastavam. No final, com o adiamento da votação dos destaques, disse que “até quinta qualquer servidor/a pode enviar sugestões para os/as conselheiros/as” e acatou a possibilidade de fazer um espaço com o sindicato para discutir com a base dos servidores/as o documento em questão.

Minuta não é resolução

Apesar de o Ensino Remoto ter sido aprovado, o documento que o normatiza ainda está em discussão e pode sofrer modificações. Portanto, o conselheiro Ederson Matsumoto solicitou e a reitoria acatou, por prudência, que o texto da minuta não seja usado em reuniões como resolução já aprovada.

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