Às pressas, Reitoria aprova ensino remoto, mas comunidade acadêmica não está pronta para o retorno

Apesar de o calendário acadêmico ter sido liberado para o retorno às aulas, nesta segunda-feira, dia 31 de agosto, a comunidade acadêmica do Ifal tem mais dúvidas do que certezas sobre o Ensino Remoto Emergencial.

“Os Horários das aulas e como isso irá funcionar? Sobre ajuda de custos, os valores da Internet e na compra de equipamentos como isso funcionará?”, “Cadê o auxílio?”, “Onde está o resultado da pesquisa que os senhores fizeram? Todos os alunos estão em vantagem? O processo ensino-aprendizagem será mantido?” são algumas das mais diversas perguntas publicadas nas redes sociais institucionais do Ifal e que seguem sem respostas.

Essas e outras preocupações também foram advertidas pelo Sintietfal, por alunos e por egressos nas duas reuniões do Conselho Superior do Ifal, realizadas dias 25 e 27 de agosto, quando votaram as diretrizes institucionais do Ensino Remoto Emergencial em tempo recorde. A reitoria apresentou a minuta no dia 13 de agosto e no dia 25 já estava sendo votada no Consup, sem audiências ou consultas públicas.

Para aprovar a resolução 50/2020, os/as conselheiros do Consup submeteram-se a mais de 10 horas seguidas de reunião, votando os destaques das propostas. Pontos como a autonomia dos câmpus para deliberar sobre o retorno às aulas no formato remoto e a possibilidade do/a discente e do/a docente optar ou não pela adesão à modalidade de ensino foram rejeitados, assim como qualquer outra proposta para melhorar a resolução.

“Saímos com a sensação de que existia uma pressa injustificada. Vários destaques que poderiam trazer mais segurança para os estudantes, sem prejudicar a Instituição, foram rejeitadas sem motivo plausível”, expressou o conselheiro suplente e diretor do Sintietfal, Yuri Buarque.

Os/as representantes/as dos/as discentes no Consup foram contra as aulas começarem antes de o auxílio conectividade ser implementado, para que nenhum/a aluno/a perca conteúdo das disciplinas ou tranquem matrícula por não terem condições de acompanhar o calendário letivo.

“Fiz, junto a outros estudantes e servidores, defesa de que nenhum estudante deve ficar para trás e ser garantido, ao menos, que as aulas comecem com condições para que todos possam estudar”, afirmou Peterson Lessa, conselheiro representante do segmento discente. “Entendemos que é necessário a cobrança e a luta em defesa da qualidade da educação para que todos possam ter o direito de estudar. Hoje, são milhares de estudantes carentes no Ifal”, completou o estudante.

Outro assunto que ficou a desejar, é a questão do direito de imagem do docente e discente em aulas gravadas. Sem saber responder, a reitoria afirmou que o tema será tratado em nota técnica emitida pela procuradoria do Ifal. Não há precisão de publicação da nota, ou seja, só sairá depois das aulas terem retornado.

O Sintietfal, por decisão de assembleias, se colocou contra o ensino remoto no Ifal. Mesmo com a sua aprovação, o sindicato continuará na luta, realizando assembleias e aberto para receber qualquer denúncia e qualquer situação dos/as servidores/as, principalmente porque na resolução 50/2020 está prevista uma avaliação do novo formato de ensino.

“Estamos preocupados e continuamos vigilantes, sobretudo em relação a saúde dos servidores. Acompanharemos o tempo todo, principalmente para combater casos de adoecimento no trabalho”, completou Yuri.

Aulas no Ifal

O primeiro dia de validade da deliberação Nº 58 /2020 da reitoria do Ifal, publicada no dia 28 de agosto, em que autoriza o retorno das atividades acadêmicas a partir do dia 31 de agosto por meio do ensino remoto emergencial, não teve aula em nenhum câmpus.

De acordo com o levantamento realizado pelas contas oficiais do Ifal (até o horário de publicação da matéria), das 16 unidades de ensino apenas o câmpus Palmeira dos Índios apontou o dia 14 de setembro como data de retorno. Uma reunião com alunos, pais e responsáveis, marcada para o dia 2 de setembro, deve responder questionamentos da comunidade.

Além de Palmeira, Arapiraca marcou reunião para esta terça-feira, 1 de setembro, e Penedo, Batalha e Satuba para o dia 2 de setembro com a comunidade para tratar sobre a volta às aulas. Os demais câmpus, apesar de noticiarem em suas redes o ensino remoto emergencial, não publicaram nenhuma informação particular e nem sequer responderam questionamentos dos/as estudantes.

Passados cinco meses e meio da suspensão do calendário acadêmico, alunos e servidores ainda devem precisar de tempo para se qualificarem para a nova modalidade de ensino, definir sobre como serão as aulas, sua metodologia e realizar os ajustes necessários. Enquanto nas redes sociais, seguem os questionamentos dos/as alunos/as, percebemos apenas o silêncio da instituição.

“Essa é uma atitude vã, pois nem todos têm acesso, e não é porque vão dar um mero auxílio que isso vai mudar. Vocês teriam que ter feito isso no início do ano, no mais tarde em junho. Aí agora que já perderam o ano inteiro querem retomar as atividades assim do nada, sem dar esclarecimentos algum. Isso é inviável, parece que não pensam. Era melhor abrir desse ano. Vocês acham que porque irá fazer essa “retomada” que os problemas serão revertidos, o ano será retomado? NÃO! Nem todos os alunos têm estrutura, seja infraestrutura, seja física ou psicológica, vocês têm que entender que não é só as aulas que estão sendo perdidas. Parentes dos alunos também perderam a guerra para a Covid-19, Ah, como dizem: “É uma realidade que hora ou outra teriam que passar/não há como evitar, a vida segue”. Vocês deveriam repensar sobre essa retomada mesmo que gradual…” (sic), publicação de Jhean Monteiro , estudante do curso técnico de Eletrônica do câmpus Maceió.

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