Sintietfal participa de audiência sobre políticas públicas e o protagonismo das mulheres

O Sintietfal participou da audiência pública “Políticas Públicas e o Protagonismo das Mulheres”, que ocorreu nesta segunda-feira, 14 de março. A ocasião reuniu lideranças feministas, entidades sindicais, representantes de partidos políticos, membros da sociedade civil, órgãos públicos, professoras e pesquisadoras que atuam pela defesa e aplicação de políticas voltadas às mulheres.

A diretora de comunicação, Anny Barros, usou a tribuna para fazer uso da palavra e ponderou os retrocessos vividos no governo Bolsonaro e a luta histórica das mulheres. “Discutir a maior abrangência de políticas públicas que visam a paridade de gênero, bem como a criação de novas, é de extrema importância por várias razões. Mas, para o Sintietfal, duas razões são preponderantes: a luta por paridade traz em seu bojo outras lutas histórias e que estão imbricadas na luta de ampliação dos direitos das mulheres: combate ao machismo, ao feminicídio, ao racismos etc; a segunda razão, e não menos importante, é: pensar paridade de gêneros é uma forma de se contrapor ao (des)governo genocida do Presidente Bolsonaro que, a todo tempo, se mostra uma ameaça à liberdade de expressão e aos direitos já conquistados pela classe trabalhadora”, declarou a professora do Ifal.

Diretora de Comunicação do Sintietfal, Anny Barros

A audiência foi proposta pela vereadora Teca Nelma (PSDB-AL) e teve como intuito debater a conscientização, o enfretamento e a cobrança de políticas públicas para as mulheres para além das políticas contra a violência física. A vereadora reforçou as inúmeras violências sofridas no cotidiano das mulheres, incluindo nas esferas de poder.

“A violência contra a mulher acontece todos os dias. Seja pelo governo municipal, estadual e federal. A violência contra a mulher acontece quando não temos políticas transversais que pensem a mulher em todas as esferas na constituição de políticas. Quando a gente não faz a política de saneamento básico e pensa que as mulheres são chefes de família e que as crianças estão adoecendo. Quando nós deixamos o gás de cozinha chegar a R$120 e as mulheres estão sujeitas a morrer utilizando formas que não são seguras para cozinhar. Que a gente é violentada quando deixamos uma mulher preta numa fila, no sol, para ganhar 200, 300 ou 600 reais. Quando temos nossa fala cortada nos espaços de poder. Ela acontece nos mínimos detalhes. Quando somos ridicularizadas. A violência contra a mulher atinge majoritariamente as mulheres pretas e trans. O país é o que mais mata pessoas trans no mundo. A maioria das mulheres que sofrem feminicídio são pretas”, declarou Teca Nelma.

A audiência aconteceu no dia que marca quatro anos do assassinato brutal e político da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ). Marielle e o motorista, Anderson Gomes, foram executados a tiros, no dia 14 de março de 2018, na região central do Rio de Janeiro e mesmo após quatro anos, não houve justiça por sua morte. O caso evidencia a violência sofrida pelas mulheres em todos os âmbitos, neste caso, dentro do poder público.

“Quero lembrar que no dia de hoje são quatro anos da morte da vereadora carioca Marielle Franco e do assassinato da professora Cenira Angélica, de Viçosa. São mulheres para as quais também precisamos lutar por justiça. Registro aqui que continua um número enorme de mulheres negras assassinadas no Estado de Alagoas”, citou Marluce Remígio, presidente do Conselho da Igualdade Racial.

Durante a audiência houve relatos de superações de vítimas de violência doméstica, tentativas de feminicídio, conquistas de representação e iniciativas públicas voltadas às mulheres, como o programa Saúde da Mulher, o Posto de Coleta de Leite Humano de Maceió (para promoção do aleitamento materno), a Casa da Mulher alagoana e o programa Dignidade Menstrual.

“A audiência pública serviu também como espaço democrático para ampla discussão sobre a Lei 7111/2021, que institui a política de Combate à Pobreza Menstrual e a distribuição gratuita de absorventes. Bem como a Lei 7103/2021 que revogou a Lei Municipal 545/1957, que instituía a Escola de Prendas em Maceió”, concluiu a diretora. Para Anny Barros, recém moradora e futura eleitora de Maceió, a revogação da Lei Municipal supracitada abre espaço para a população refletir sobre a paridade de gênero na capital alagoana.

As representantes defenderam a necessidade do olhar amplo para os problemas sociais vividos pelas mulheres, abordando a falta do acesso à formação, qualificação e oportunidade das mulheres se desenvolverem social e economicamente como parte da violência contra a mulher.

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