Manifestação em defesa da educação obriga Lula a se pronunciar sobre a greve em visita a Alagoas

Aposentados/as conseguem entregar carta à comitiva presidencial

Em meio à greve da educação federal, o presidente Lula esteve em Alagoas para inaugurar obras públicas no sertão e na capital. O Sintietfal reuniu sindicatos, preparou faixas, cartazes e adesivos e organizou caravanas para cobrar posicionamento do governo em defesa da Educação.

Com a faixa “Lula, a educação quer valorização”, representações do comando de greve de Piranhas, Batalha, Santana do Ipanema e Maceió estiveram em São José da Tapera, na quinta-feira, dia 9 de maio, para a solenidade de assinatura da ordem de serviço do trecho V do canal do Sertão.

Mesmo com a faixa bem posicionada no meio dos presentes e atrapalhando em diversos momentos a transmissão oficial do governo, Lula não mencionou sobre a greve no sertão.

“Percorremos 7 km a pé, numa estrada de barro e cheio de lama, mas de braços dados. Tentativas, a partir de faixas e cartazes, para chamar a atenção do presidente; ele certamente visualizou. Mas não deu visibilidade e nem voz. Retornei para meu sertão com um sentimento de que a luta só se faz com consciência de classe. Que o sindicato é uma das formas mais importantes de nos organizarmos e de lutarmos pela nossa classe trabalhadora, que é a mais precarizada e adoecida do funcionalismo público federal. Priorize a educação, presidente! Queremos diálogo; não recado. A greve continua firme e forte. É preciso esperançar, agindo!”, disse Thaisa Porto, nutricionista do campus Batalha.

 

No dia seguinte, o cerimonial da presidência proibiu a entrada de faixas e bandeiras no evento, obrigando diversos movimentos e o Sintietfal a utilizá-las apenas do lado de fora. Assim, desde antes das 8 horas, diante da entrada dos presentes no evento, os/as aposentados/as e o Sintietfal expuseram suas faixas e conseguiram acesso ao local reservado, bem próximo ao palco. Em Maceió, nas margens da Lagoa Mundáu, no bairro do Vergel, Lula entregou 914 unidades habitacionais do Parque da Lagoa, construído pelo programa Minha Casa, Minha Vida.

Diante dos cartazes da greve abertos pela segunda vez, Lula se viu obrigado a se pronunciar já no encerramento de seu discurso. “Os professores que estão com a faixa ai, deixa eu dizer uma coisa para vocês. Se tem uma coisa que eu acho maravilhoso é tá fazendo um governo e chegar num lugar as pessoas mostrarem suas faixas reivindicando”, disse o presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva.

“Vocês sabem que eu vou atender. Vocês sabem que vou tratar bem professor, vou tratar bem o Instituto Federal. Acontece que a gente só tem um ano e cinco meses de governo”, completou Lula tentando justificar a demora em relação à greve.

 

Na mesma ocasião, o Sintietfal e as aposentadas conseguiram entregar uma carta aberta à comitiva presidencial pedindo a revogação do Decreto nº 10.620/21, editado por Bolsonaro e implantado pelo Reitor Carlos Guedes, que jogou os/as aposentados/as e pensionistas do Ifal no INSS.

A carta foi entregue aos Ministros Renan Calheiros e Rui Costa, ao governador Paulo Dantas, ao presidente da câmara, Arthur Lira, e à Lula, ficando na mão da primeira dama Janja até o final da cerimônia.

“Esperamos que a partir desse ato, o governo entenda que é preciso avançar nas pautas da greve, garantir a valorização da educação. Sem esquecer de revogar as maldades criadas por Bolsonaro, que permanecem em vigor como esse joga nossos aposentados para o INSS”, completou Yuri Buarque.

Para a diretora de aposentados, Léa Mello, a ação foi excelente. “Conseguimos entregar a carta ao presidente da república e a vários políticos que lá estavam. Nós percebemos que eles leram a carta e o cartaz. Alcançamos o objetivo de lhes fazer cientes da nossa situação. Agora vamos aguardar se teremos contato, porque o assessor do presidente pegou nosso número. Vamos aguardar, mas não vamos parar!”.

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