Estudantes preparam greve nacional no dia 26 de novembro por bandejão e orçamento para a educação
Estudantes em todo o Brasil estão em luta em defesa de restaurantes em todos os campi e por mais verbas para a educação. Através de uma greve nacional, convocada pela Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico, Fenet, para o dia 26 de novembro, o movimento estudantil vai paralisar os Institutos Federais para defender seus direitos.
Em Alagoas, a primeira unidade do Ifal a definir adesão à greve nacional da Fenet foi o campus Maragogi. Em três assembleias estudantis, realizadas no dia 12 de novembro nos três turnos, 149 estudantes votaram a favor da greve no dia 26.
“A paralisação nacional dos estudantes do ensino técnico é, neste momento, uma oportunidade real de unir vozes que, em todo o país, já enfrentam desafios semelhantes e agora se reconhecem umas nas outras. Esta mobilização mostra que, quando nos organizamos, conseguimos fortalecer um movimento que cresce a cada dia em defesa dos nossos direitos.
Através da mobilização, deixamos explícito para todo o Brasil e para o Poder Público que nós, estudantes, estamos aqui: atentos, presentes e mobilizados. As ações que prejudicam a educação não estão passando despercebidas, e estamos reagindo. Estamos mostrando que não aceitamos retrocessos”, disse Evellyn Cristina, Diretora de Cultura do grêmio estudantil do campus Maragogi.
Sobre a greve
A decisão da greve foi tomada no Encontro Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico, Enet, realizado em Salvador nos dias 18 à 21 de setembro, que levantou pautas como a revogação do novo Ensino Médio, além da luta pela universalização da alimentação escolar.
Com o tema “Com fome ninguém estuda”, os estudantes debateram sobre a necessidade da aprovação do orçamento exigido e as estratégias de luta.
Com fome ninguém estuda!
Em 2024, os Institutos Federais receberam R$ 55 milhões do PNAE, Plano Nacional de Alimentação Escolar, valor que permitiu atender somente 357 mil dos 850 mil estudantes matriculados, deixando cerca de 60% deles sem acesso à refeição oferecida pela instituição. O valor recebido cobriria apenas 15 minutos de pagamento da dívida pública.
O Conif, Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, estima que pouco mais de R$ 1 bilhão seria suficiente para suprir plenamente a demanda nacional por alimentação estudantil. Esse valor corresponde a aproximadamente um único dia de despesas da dívida pública. Essa quantia, se destinada à educação, garantiria a alimentação de todos os estudantes por cinco anos.
Nas escolas públicas, as e os estudantes têm merenda. No Ifal, a alimentação não é universalizada e alguns campi, a exemplo de Maceió, Marechal Deodoro, Satuba e Palmeira dos Índios, possuem refeitórios.
A paralisação nacional visa a garantia de direitos básicos e o reconhecimento de que a qualidade da educação passa também pela dignidade e segurança alimentar de cada estudante.



